Publicado em 24 de setembro de 2026 às 15:59 por Mariana Rolim

Antes de formarem uma das principais duplas do sertanejo, Maiara e Maraisa trabalhavam como compositoras. As irmãs escreviam músicas que outros artistas gravavam, enquanto ainda buscavam espaço para desenvolver a própria carreira.
Em 2016, elas ganharam projeção com o álbum “Ao Vivo em Goiânia”, que trouxe músicas como “10%” e “Medo Bobo”. No entanto, o caminho até esse momento envolveu uma série de recusas.
Maraisa relembrou esse período durante o programa:
“Tivemos que lidar com bastante ‘nãos’, ver todos os amigos gravando antes que nós, todo mundo tendo uma carreira, porque eram homens, e pensar: ‘Como assim? Temos talento, as pessoas gravam a nossa música’.”
Segundo a cantora, as duas também encontraram resistência por serem mulheres em um mercado que, naquele momento, ainda apresentava poucas duplas femininas. “Os grandes empresários falavam na época que dupla feminina não dava certo.”
Maiara, por sua vez, contou que levou um tempo para compreender que aquelas dificuldades estavam relacionadas à estrutura da sociedade, e não apenas à trajetória individual da dupla.
“Entendi que era uma revolução que tinha que fazer, é um legado que tenho que construir não só por mim, mas pelas mulheres. Viemos desse engajamento também”
Durante a conversa, as irmãs também comentaram a classificação “feminejo”, usada para identificar o sertanejo produzido e interpretado por mulheres.
Maiara afirmou que nunca se identificou com a expressão. “Sou bem honesta, nunca gostei desse termo.”
Maraisa concordou com a irmã: “Não gostamos, a realidade é essa.”
Na sequência, Maiara explicou como prefere definir o trabalho das mulheres dentro do gênero:
“O termo é sertanejo. Independentemente se é homem ou mulher, o que manda é o talento”
Maiara e Maraisa também relembraram a relação com Marília Mendonça. As três se conheceram quando ainda trabalhavam como compositoras e buscavam espaço na música.
Maraisa contou que elas costumavam se reunir em Goiânia para escrever músicas e descreveu a rotina daquele período:
“Sentávamos para compor num colchão no chão, lá em Goiânia. Era muito da simplicidade; tínhamos aquela necessidade de fazer as coisas acontecerem, as três.”
Para Maiara, o fato de a amizade ter começado antes da fama tornou a relação ainda mais significativa.
“Foi muito legal porque nos conhecemos antes de tudo, da fama, do trabalho, de virarmos as artistas que nos tornaríamos. Nem sabíamos se daríamos certo ou não. Então, veio a cumplicidade de uma amizade de antes.”
Marília morreu em novembro de 2021, após um acidente aéreo, enquanto trabalhava no projeto “Patroas”, parceria com Maiara e Maraisa. Poucos dias antes da tragédia, as três haviam se encontrado para gravar o clipe de “Esqueça-me Se For Capaz”, inspirado no filme “Prenda-me Se For Capaz” (2002).
Durante a entrevista, Maraisa também falou sobre o dia das gravações. Emocionada, ela destacou que não imaginava que aquela seria uma das últimas ocasiões em que as três estariam juntas.
“Como não sabíamos o que iria acontecer, foi um dos melhores dias da nossa vida.”
As gravações aconteceram em diferentes locais, incluindo um estúdio e um aeroporto. Depois da morte de Marília, retornar ao espaço trouxe lembranças para Maraisa.
“Lembro da primeira vez que fui decolar ali, e uma coisa conectava à outra, e eu pensava: ‘Por quê?’. Sabe aquelas coisas de negação?”
As irmãs também falaram sobre a relação de Marília com o filho, Léo, atualmente com seis anos, fruto do relacionamento da cantora com Murilo Huff. Maraisa destacou a maneira como a amiga conciliava a maternidade com a rotina de shows.
“Ela mostrou para mim que é possível ser mãe na estrada”
Ao lembrar da amiga, Maiara afirmou que a dupla prefere valorizar o período que teve ao lado de Marília.
“Temos que dar graças, porque tivemos uma honra a mais de ter convivido com uma pessoa que é ímpar, fora da curva, fora do normal.”